Depois de um dia cansativo de trabalho e estudos, tudo o que a maioria quer é relaxar assistindo a uma série, um filme ou ver seu time do coração jogar. Com a ideia já em mente, a busca começa: abre um streaming, não encontra; tenta outro, também não; mais um, e nada. É nesse momento que surge a dúvida: será que vale a pena pagar por vários serviços e ainda assim não achar o que procura?
Fragmentação do conteúdo
Filmes, séries e direitos de transmissão de jogos agora estão espalhados em várias plataformas. Não há mais Globo aberta com exclusividade de transmissão. O filme está na plataforma X ou Y? Para quem não tem condições de assinar vários serviços, porque todos eles são pagos, não restam muitas escolhas. Ou assina ou pirateia.

É o caso de Eder Henrique Ribeiro, de 47 anos: “Já fui assinante de pacotes de TV legítimos e serviços de streaming, porém os valores eram altos e hoje também continuam altos. Mesmo pagando um valor alto, não achava um título que gostaria. Jà no pirata tinha o catálogo de todos os streamings e muitos canais de TV pelo preço de um”.
A frase mostra o quanto a pirataria se naturaliza. Não só como uma opção mais barata, mas a mais fácil para muitos. Enquanto a pessoa procura em streamings e não acha, em um site pirata ela encontra tudo, muitas vezes até antes do lançamento oficial.
As empresas tentam reagir com pacotes, bloqueio de compartilhamento de senha e até colocando anúncios em planos mais baratos. Mas, na prática, isso muitas vezes tem o efeito contrário, o usuário se sente explorado, o que acaba empurrando ainda mais gente para caminhos alternativos.
Pirataria virou cultura?
Camisas, DVDs de músicas, jogos e outros produtos que se encontravam em camelôs e feirinhas já faziam parte dessa realidade muito antes do crescimento do digital.
Para o professor de sociologia, Luiz Antônio Zerbinato, a compra de produtos ilegais se enraizou na sociedade brasileira, porque muitos querem fazer parte da sociedade do consumo. “A pirataria se tornou tão presente no cotidiano brasileiro por questão de impossibilidade das pessoas empreenderem, de atingirem o mercado consumidor ou de não conseguirem acompanhar as tendências e nem os valores possíveis”, diz. O acesso ao entretenimento e à cultura é, de fato, elitizado.
Porque a falsificação não acaba?
Um estudo recente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP) revela que o mercado de pirataria no Brasil alcançou um montante impressionante de R$ 500 bilhões em 2025. O valor é o maior já registrado na série histórica e expõe como esse mercado está em crescente desde o avanço das tecnologias e muito longe de esboçar queda.
“É um mercado bilionário, envolve muito dinheiro. Ao mesmo tempo, tem gente pequena, com poucos clientes, e gente com milhares. É um mercado interessante para todo mundo, por isso que ele não acaba”, diz um vendedor de aparelhos e aplicativos piratas que atua na área há mais de 6 anos e foi ouvido pela Agenzia. Diz Tiago Regis dos Santos, fornecedor de produtos piratas pela vizinhança, ele destaca o alcance desse tipo de serviço: “Um jogo no pay-per-view pode ter mil pessoas assistindo, enquanto no ‘gato’ pode chegar a 100 mil. Isso aumenta a visibilidade e o consumo.”
O problema central para o sistema não cair não está na falta de fiscalização. A demanda do público pelo mais barato é o que mantém a pirataria sempre ativa. Enquanto empresas não valorizarem e fidelizarem seus consumidores, com preços mais acessíveis, catálogos mais completos e um serviço que realmente funcione, esse ciclo dificilmente será quebrado.
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