terça-feira

14-abril-2026 Ano 2

Música underground brasileira luta pela visibilidade

A caminhada pelo sucesso da banda Bloody Dolls, que vive entre a busca pela originalidade artística e seguir as tendências ditadas pela Geração Z
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O cenário musical brasileiro tem se tornado um ambiente cada vez mais espinhoso para novas bandas e artistas independentes construírem um nome respeitado e se tornarem novas potências que figuram o “mainstream”. Muitos talentos que buscam espaço e visibilidade enfrentam uma batalha por reconhecimento e oportunidades. A influência do mercado é forte e predominante. Já os artistas independentes, que compõem o chamado “underground”, não enfrentam apenas a resistência do público, mas também a escassez de plataformas digitais que lhes permitam divulgar suas obras e a falta de espaços para apresentações ao vivo. A busca por visibilidade se torna uma missão quase impossível.
A busca pela aprovação do público pressiona artistas independentes a adaptarem suas identidades e seus estilos para se encaixar nas expectativas das plataformas populares e das tendências momentâneas. Esse ambiente competitivo, onde números de visualizações (“streams”) e seguidores são mais valorizados do que a qualidade musical, cria uma corrida desgastante que desestimula os criadores a experimentar e inovar. A saturação de conteúdos nas redes sociais torna ainda mais difícil para novas vozes serem ouvidas, levando a um ciclo em que os artistas que se conformam com fórmulas predefinidas conseguem ganhar visibilidade. Essa dinâmica não só embaça a diversidade sonora da cena musical, mas pode desencorajar talentos genuínos a se arriscarem e buscarem seu espaço em um mercado que deveria celebrar a pluralidade.

A Agenzia conversou com as integrantes da banda Bloody Dolls, um grupo  de rock alternativo recém-formado, com uma formação completamente feminina, formada pela vocalista Giu, baixista Lu, baterista Tatá e a guitarrista Mari. O projeto vem conquistando cada vez mais espaço em meio ao underground e já anunciou estarem produzindo seu primeiro álbum de estúdio. O álbum incluirá a faixa já lançada, chamada Trigger, já no YouTube.

O conceito surge a partir da introspecção do rock alternativo e da distorção crua dos anos 1990, um sentimento compartilhado pelas autointituladas “bonecas vivendo em meio a sujeira do underground”. Elas se destacam por um som único e cru, sem grandes complexidades, apenas uma atmosfera pesada que toma conta da experiência do ouvinte.

ensaios fotográficos de divulgação para o primeiro álbum – Bloody Dolls

“Optamos por produzir mais músicas na língua inglesa, o que acreditamos dar uma amplitude maior de público”, afirma a guitarrista Mari. Mesmo que a produção tente alcançar um público internacional, elas trazem outro questionamento:  “Entramos em um impasse, pois dizem que estamos ‘negando’ a música brasileira e nos ‘apropriando’ de uma língua estrangeira.”

Grupos como a Bloody Dolls precisam disputar espaço com outras bandas. A batalha não inclui apenas as emergentes, mas também conta com as famosas bandas cover, que, por tocarem apenas músicas já reverenciadas pelo público geral, são “investimentos” mais seguros na visão dos donos de bares com música ao vivo, que encaram as opções de apostar em música autoral ou tentar garantir um retorno mais seguro com elas. “Isso também faz com que bandas independentes como a minha percam tempo de apresentação por tocar covers”, diz Mari.

Os artistas do underground acabam se rendendo também às “trends”. Têm esperança que um vídeo viral, entre milhares de outros artistas, possa catapultar a carreira. “Essa estratégia seria um método mais ‘garantido’ de divulgação, porém sempre consideramos a existência de um espaço para pessoas as quais consigam quebrar este ciclo de conteúdo repetitivo de uma forma diferente que nos dias de hoje se tornou uma ‘receita de bolo’ para mais visibilidade e público”, revela Mari.

“Algo muito importante neste tópico é não fazer música ou qualquer tipo de arte para agradar a todos. Mesmo que essa seja a fórmula para talvez um sucesso maior, esse tipo de ação pode mudar totalmente a identidade da banda/artista e virar algo genérico ou chiclete”, acrescenta a vocalista Giu.
Talvez tudo isso explique porque há uma sensação de que, conforme os anos se passam,  parecem surgir cada vez menos artistas novos. “A maioria das pessoas prefere artistas e faixas que já conhecem e sabem que gostam. Dificilmente tentam ouvir ou experienciar algo diferente do convencional e isso impacta diretamente no desempenho e motivação de bandas que sentem vontade de serem originais”, afirma Giu.

Utilizar comparações, muitas com o desmerecimento como real intenção, como um indicador de estarem possivelmente alcançando a sonoridade desejada, acaba por ser uma forma inesperada de se guiarem em um espaço tão subjetivo. “No meio artístico as inspirações são de extrema importância. Isso ajuda muito no processo criativo e no polimento de ideias”, conta a baixista Lu.

É nesse cenário ainda complexo, que os artistas do underground” já enxergam mudanças: “A Geração Z aparenta ser mais aberta a novas experiências e testar gostos diferentes para atividades como shows, instrumentos, arte em geral. Sinto que a Geração Z é mais maleável e receptiva quanto a isso… o que também pode despertar desejo de também se tornar artista”, afirma Lu. Não apenas se trata de prospectos de um aumento no apoio de artistas emergentes, mas também de que as oportunidades acabam aumentando junto com a quantidade de artistas.

Formação atual da banda Bloody Dolls

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João Guilherme Lopes Gilberti