sexta-feira

17-abril-2026 Ano 2

O que a Gen Z realmente quer dos políticos em 2026 

Em 2026, conquistar o voto da Geração Z exige mais do que presença digital: requer autenticidade, linguagem direta e capacidade de transformar engajamento online em identificação real e participação política.
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Esqueça o aperto de mão em feiras de rua ou o santinho de papel que acaba entupindo o bueiro na esquina. Para quem nasceu entre 1995 e 2010, a política não acontece no palanque, mas no scroll infinito do TikTok. Em 2026, com o eleitorado jovem decidindo o rumo das capitais e do País, a corrida eleitoral virou uma batalha por segundos de atenção e, principalmente, por algo difícil de falsificar: a autenticidade.   

Mas o que faz um jovem, bombardeado por memes e dancinhas, parar para ouvir um projeto de lei, discutir política, refletir sobre o futuro do Brasil? A resposta está em entender que, para essa geração, o pessoal é político, e o digital é a vida real. Não se trata de uma “extensão” da vida, mas do lugar onde as opiniões são formadas, os cancelamentos são decretados e as revoluções começam. Se o político não está ali, ele não existe para uma parcela gigante da população que já nem liga mais a televisão para ver o horário eleitoral.   

O sucesso de novas lideranças tem vindo de quem abraça a estética lo-fi: vídeos gravados com a luz do celular, sem filtros de estúdio ou roteiros engessados. É a política “gente como a gente”. Os dados mostram que o jovem abandona um candidato no momento em que detecta uma quebra de expectativa ou uma postura excessivamente produzida. O eleitor de 20 anos quer ver o bastidor, o erro de gravação, a cara cansada depois de uma sessão na câmara. Ele quer o humano, não o busto de bronze.   

Essa preferência por conteúdos rápidos não é apenas uma “moda”, mas uma característica conhecida. O artigo “Estratégias para Integrar a Geração Z”, publicado na Revista Tópicos, mostra que essa geração valoriza a autonomia e o processamento de informação não-linear. Na prática política, isso se traduz no “microlearning”: explicar por que o preço do aluguel subiu ou como funciona uma emenda parlamentar em vídeos de 40 segundos.  

É a morte do discurso de uma hora. O jovem quer entender o mecanismo do mundo, mas quer isso mastigado e direto ao ponto. O estudo reforça que, se não houver um “propósito” claro e imediato, o cérebro desse eleitor descarta a informação. Estratégias que funcionam são aquelas que aplicam o design de informação dinâmico, transformando o “politiquês” em pílulas de conhecimento úteis para o dia a dia. Se o político não consegue explicar sua ideia no tempo de uma viagem de elevador, ele perdeu o eleitor.   

Deputado estadual Guilherme Cortez em uma roda de conversa na UNIFESP Osasco
Deputado estadual Guilherme Cortez em roda de conversa na UNIFESP Osasco- Foto: Laura Coutinho/Agenzia

“A juventude hoje é a primeira geração que debate política centralmente através das redes. Se perdermos esse engajamento, abrimos espaço para figuras, sobretudo da extrema direita, que aprenderam a utilizar essa comunicação através de mentiras impulsionadas por algoritmos”, afirma o deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL-SP). 

 Para Cortez, a participação juvenil é o que mantém a rede social como um espaço de disputa democrática real, e não apenas um repositório de desinformação. Ele toca em uma ferida aberta: o algoritmo não tem ética. Se o campo progressista ou moderado se nega a “jogar o jogo” das redes por achar que a política deve ser “séria demais” para o TikTok, ele entrega o jovem de bandeja para o populismo que sabe viralizar mentiras. A presença digital ativa é, portanto, uma ferramenta de sobrevivência do próprio sistema democrático.   

A morte do “personagem” político e o filtro de verdade 

Pessoa realizando transmissão ao vivo em rede social
Foto: Nathan Dumlao

Segundo dados recentes da Atlas Intel (2026), a Geração Z é a mais cética em relação às instituições tradicionais, com cerca de 65% dos jovens apresentando uma “volatilidade de convicção”. Isso significa que eles não são fieis a partidos, mas a pautas e figuras que consideram honestas. Eles desenvolveram um radar apurado para o que é “fake”. Quando um político de terno e gravata tenta forçar uma gíria da moda, o efeito é imediato: o cringe. É aquele desconforto físico de ver alguém tentando ser quem não é.   

O contraponto necessário vem de Alex Hilsenbeck. O professor de Relações Públicas da Cásper Líbero coloca os pés no chão ao questionar esse rótulo de “Geração Z” como se fosse um bloco único. Para ele, tratar o jovem assim ignora o abismo que existe entre as diferentes realidades do País. O que move um jovem na periferia é bem diferente do que move quem está nos grandes centros, e a “vida real” pesa muito mais que o ano de nascimento. 

Hilsenbeck também joga luz sobre um dado que muita gente esquece: a barulheira digital não se traduz automaticamente em poder nas urnas. Esse grupo ainda representa metade do peso eleitoral dos brasileiros com mais de 60 anos. Ou seja: ser nativo digital é uma coisa, mas ter engajamento político real e consistente é um desafio muito mais profundo. 

“No entanto, é preciso problematizar a própria categoria ‘Geração Z’: tratá-la como um bloco homogêneo apaga diferenças fundamentais de classe, raça, gênero, regiões e escolaridade que moldam atitudes políticas e padrões de participação.”, afirma o professor Alex Hilsenbeck.

Do engajamento ao voto 

O grande desafio que as campanhas enfrentam agora, conforme apontam os monitoramentos de sentimento digital, é transformar o “like” em presença na seção eleitoral. O engajamento digital é volátil. Um político pode ser o rei dos comentários e, ainda assim, não ver esse apoio se materializar em votos se não houver um senso de comunidade real. Não basta ser seguido; é preciso ser sentido como parte do bando.   

Para a Geração Z, votar não é apenas cumprir uma obrigação civil; é afirmar uma identidade. É uma forma de dizer ao mundo: “eu acredito nisso”. O político que consegue o voto desse jovem não é o que promete o futuro com frases de efeito, mas o que prova, com dados e transparência, que habita o mesmo presente e as mesmas redes que ele. É sobre criar conexão, não apenas audiência.   

Em um mundo de deepfakes e promessas vazias, o que o jovem mais procura é algo que o dinheiro do fundo eleitoral não compra: a sensação de que, do outro lado da tela, existe alguém de verdade lutando por algo que também importa para ele. A política de 2026 será decidida por quem souber olhar para a câmera do celular e falar como se estivesse na mesa de um bar, e não em um palanque de mármore. 

Autores

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UTILIZAÇÃO DE IA
Autoria Humana Exclusiva

Este conteúdo foi produzido integralmente por humanos, sem uso de IA em nenhuma etapa.

Ana Júlia Nadalutti Tavares Cardinalli Soares

Estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero e Repórter no Projeto Agenzia