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13-abril-2026 Ano 2

Fórmula 1: O retorno à tela da Rede Globo

Após cinco temporadas na Band, a Fórmula 1 retorna à maior emissora do país em 2026. O que os fãs…
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Após cinco temporadas na Band, a Fórmula 1 retorna à maior emissora do país em 2026. O que os fãs brasileiros pensam sobre isso?

A Fórmula 1 está presente na televisão brasileira desde os anos 1970, tendo a TV Globo como sua principal transmissora por quase quatro décadas após a primeira exibição em 1972. Em 2021, os direitos de transmissão passaram para a Band, marcando uma nova fase na cobertura do esporte no país por cinco temporadas, encerrada no ano passado. Neste ano, a retomada da categoria pela Globo voltou a impactar a audiência, especialmente entre os jovens, que representam uma parcela cada vez mais relevante do público.

Essa modalidade se tornou um fenômeno de escala global entre os jovens, principalmente depois da série F1: Dirigir para Viver, lançada em 2019 pela Netflix em parceria com a Fórmula 1. Com formato documental, onde eram mostrados os bastidores das corridas e o ponto de vista dos pilotos de forma única e dinâmica, a produção atraiu uma nova geração que nunca havia acompanhado a categoria pela TV. Em 2019, o Brasil tinha cerca de 40 milhões de fãs; hoje são 71 milhões, com 39% do público com menos de 35 anos. 

Além da série, um dos fatores para o crescimento entre o público jovem, foi a compra da F1 pelo grupo americano Liberty Media, segundo o GE, por 8,5 milhões de dólares em 2016, expandindo-se no meio digital para atrair novos espectadores. Os antigos proprietários (Bernie Ecclestone e o fundo CVC Capital Partners) diziam não estar interessados em atrair novas pessoas para acompanhar o esporte, buscando manter apenas quem já era fã e maximizar os lucros.

Segundo o site Grande Prêmio esse movimento rumo aos jovens e ao digital fez com que o nome F1 se valorizasse em 423%, o público com menos de 35 anos saltasse de 30% em 2018 para 43% em 2026, e houvesse um crescimento de 633% nas redes sociais nesse mesmo período.

Os anos da Band: cobertura completa, audiência pela metade 

Em agosto de 2020, em meio à pandemia e a um movimento de corte de custos, a Globo anunciou que não renovaria os direitos de transmissão da F1 após 41 anos. A decisão foi influenciada também por um impasse com a Liberty Media, que pretendia disponibilizar o streaming F1 TV Pro no Brasil, algo que a Globo barrava para proteger seu modelo de negócio. Em 9 de fevereiro de 2021, a Band confirmou o acordo: ela exibiria todas as 23 etapas do calendário ao vivo, com treinos classificatórios no BandSports.

A Band assumiu com proposta ambiciosa, apostando em cobertura completa, programas pré-corrida, transmissão dos pódios, que nos últimos anos haviam migrado para a internet, e uma equipe formada com ex-profissionais da própria Globo, como Sérgio Maurício, Reginaldo Leme, Mariana Becker, Max Wilson e Felipe Giaffone. Para o público mais engajado, a Band representou uma era de maior profundidade e valorização da categoria.

Não deixou órfãos os fãs da F1, mas ficou longe de replicar o alcance da Globo. A principal diferença está na infraestrutura: enquanto a emissora carioca possui mais de 120 emissoras próprias e afiliadas espalhadas por praticamente todos os municípios brasileiros, a paulista tem presença bem mais limitada, sobretudo em cidades menores e regiões mais afastadas dos grandes centros. Com isso, os fãs de Fórmula 1 que vivem no interior acabaram ficando sem acesso às corridas pela TV aberta. 

O retorno à Globo: o impacto imediato de 296%

Em 11 de julho de 2025, a Liberty Media e o Grupo Globo anunciaram oficialmente o retorno da Fórmula 1 à emissora a partir da temporada de 2026. O contrato, válido até 2028, garante a transmissão de 15 GPs ao vivo na TV aberta, com o SporTV exibindo todas as 24 etapas do calendário, incluindo treinos livres, classificações e corridas sprint. A Globo definiu o projeto como “o maior pacote multiplataforma da história da F1 no Brasil”, incluindo Globoplay, ge.globo e mais de 100 ativações nas redes sociais ao longo da temporada.

No GP da Austrália de 2026, a primeira corrida dessa nova fase, disputada na madrugada de 8 de março, a emissora registrou média de 6,34 pontos na Grande São Paulo, entre 1h03 e 2h27. No mesmo horário, o SBT marcou 1,92 ponto, seguido pela Record (1,16), RedeTV! (0,49) e Band (0,44). Sozinha, a transmissão da Fórmula 1 superou a audiência somada das demais emissoras abertas. Em comparação com a edição de 2025, quando a Band havia alcançado apenas 1,6 ponto, evidencia que o crescimento foi de 296%. 

Já durante a corrida realizada na China, em 15 de março, a transmissão ocorreu no SporTV, pois, no pacote da Globo para 2026, apenas 15 das 24 corridas seriam exibidas em TV aberta, enquanto o restante seria transmitido no canal fechado, sendo esta uma delas, porém não houve a pontuação divulgada, mas estima se que foram 1,5 pontos igualando os 1,5 pontos feitos pela Bandeirantes no ano de 2025, essa queda tem o resultado por esse um canal fechado. Na última transmissão realizada pela emissora, no Japão, em 29 de março, o resultado foi de 4,9 pontos, sendo 3,1 a mais do que no ano passado.

Outro dado que chamou atenção foi a presença do público mais jovem: espectadores com menos de 35 anos representaram 43% da audiência, o triplo da média registrada pelo SporTV anteriormente. A volta da F1 à Globo não apenas recuperou sua base histórica, mas conquistou a geração que passou a acompanhar o esporte pelo streaming e pelas redes sociais.

Gráfico de audiência

A opinião dos fãs: entre entusiasmo e críticas

Entre os fãs existe a percepção de que a experiência de acompanhar a Fórmula 1 pode mudar bastante dependendo da emissora. Muitos destacam que, com a Band, houve maior proximidade com o dia a dia da categoria, com conteúdos que vão além das corridas e ajudam a entender melhor o esporte. Já em relação à TV Globo, parte do público teme que esse tipo de abordagem mais aprofundada dê lugar a uma cobertura mais resumida, inserida em uma programação voltada para diferentes públicos, o que pode diminuir o espaço dedicado exclusivamente à Fórmula 1.

Guilherme Diniz é um jovem de 18 anos, que trabalha com edição de vídeos e acompanha essa modalidade há cerca de dois anos, disse gostar mais da cobertura da Globo. Ele responde assim levando em conta fatores como um número de audiência mais elevado, narradores que trazem maior emoção às corridas e a capacidade da emissora de alcançar muito mais público.

O economista Matheus Brito, de 36 anos, acompanha a Fórmula 1 desde criança.  No entanto, ao contrário de Guilherme, ele considera que a cobertura da Band era superior, pois seus apresentadores possuíam um conhecimento maior sobre o esporte, oferecendo argumentos e análises técnicas essenciais. Talvez por essa razão a emissora carioca recontratou a repórter Mariana Becker, que traz carisma e sensibilidade em suas interações com os pilotos. Ela tem intimidade com o paddock.

Já Laura Zupelo, que tem 18 anos e é professora de idiomas, passou a acompanhar a F1 há cerca de cinco anos. Assim como Brito, ela acredita que a Rede Bandeirantes trouxe maior complexidade ao esporte, trazendo uma cobertura completa desde a pré-corrida até a finalização do Grande Prêmio (GP). Também fazendo coro aos comentaristas, ela destaca Sérgio Maurício e Reginaldo Leme, que desenvolveram uma familiaridade com as pistas, criando um ambiente descontraído que aproxima a F1 do público brasileiro.

Laura criticou a decisão de a Globo transmitir apenas 15 das 24 corridas da temporada na TV aberta, ao contrário da Band que não deixava o fã perder uma corrida. Para ela, isso representa um retrocesso à democratização de um esporte tão elitizado quanto o automobilismo.

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Autoria Humana Exclusiva

Este conteúdo foi produzido integralmente por humanos, sem uso de IA em nenhuma etapa.

Giovani Lino Bignotto