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4-abril-2026 Ano 2

Quando o sonho vira luxo: O custo de ver artistas internacionais.

Entenda como os ingressos de shows internacionais têm gerado insatisfação do público pagante brasileiro. Pagar valores exorbitantes em ingressos de espetáculos já se tornou um evento comum entre os amantes de artistas estrangeiros.
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Entenda como os ingressos de shows internacionais têm gerado insatisfação do público pagante brasileiro.  Pagar valores exorbitantes em ingressos de espetáculos já se tornou um evento comum entre os amantes de artistas estrangeiros.

Por: Gabrielli Portugal, Juliette Vitantonio, Maria Clara Albuquerque, Rafaela Paleari e Sarah Lelis.

   O Brasil vem se tornando um destino frequente quando artistas internacionais buscam grandes públicos, fortes divulgações e fãs engajados. Parece que todo dia alguém anuncia show no país, isso quem afirma é o jornalista e editor de música Eduardo Reis: “ Eu escrevo pelo menos umas quatro matérias por dia de alguém anunciando show no Brasil. É muita gente vindo para cá”. Mas além da novidade em torno dos nomes, há um assunto recorrente: os preços de ingressos, taxas e até onde esses valores são aceitáveis. Os ingressos dos shows internacionais, principalmente em período pós-pandemia da Covid-19, chegam a ser o triplo de valores praticados em anos anteriores, gerando revoltas entre os frequentadores. Com isso, surgiu o questionamento: Por que assistir artistas internacionais ao vivo está ficando cada vez mais caro? 

  Internautas especulam os motivos, muitos costumam dizer que é pela demanda, alguns colocam na conta da “máfia das ticketeiras”, enquanto outros costumam dizer que esse discurso se trata apenas de sensacionalismo da mídia.

“A taxa (de serviço) deveria ser menor. Eu acho muito absurdo 20%, assim. Que é em São Paulo, né? No Rio é 10% e eu também acho caro. Eu acho que essa taxa deveria ser, tipo assim, no máximo 5%, 4%, porque é muito caro”, protestou a jornalista e influenciadora de shows Desirré Andrade (Diva Suburbana).  

Valores que chocaram

  Ao anunciar sua terceira turnê mundial, Harry Styles chocou o público com destinos limitados: Nova Iorque, Amsterdã, Sidney, Londres, Melbourne, Cidade do México e São Paulo (em julho próximo) foram as cidades escolhidas para receber a `residência` do astro do pop. Além disso, com todos os shows programados para acontecer no  estádio MorumBis, os valores de São Paulo variam de R$ 1410,00 (inteira PIT, sem taxa) e R$ 530,00 (inteira arquibancada, sem taxa), mais de 50% superior ao preço de 2022, sua última vinda ao Brasil.

A Agenzia atualizou os dados para comparar os preços de shows que já aconteceram e os mais recentes, utilizando a calculadora do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). O valor real da pista inteira, considerando o aumento de preço e inflação dos últimos 4 anos, deveria ser de R$ 417. Porém, o valor atual está R$ 700, 

Segundo a economista Magda Rodrigues de Carvalho, a pandemia despertou nas pessoas o desejo de construir memórias, principalmente por medo após o cenário da época “ O pós (isolamento) fez com que as pessoas procurassem consumir mais experiências, como viagens, lazer, shows, festivais. Então, isso influencia também na demanda, naquela questão da lei da oferta e da procura. Quanto maior a procura, maior o preço.”

  Assim como Harry Styles, a banda australiana AC/DC também veio para o Brasil com ingressos custando mais que o dobro comparados ao show de 2009 quando vieram pela última vez e performaram a turnê “Black Ice World Tour”, também no estádio MorumBis. Na época, o ingresso da pista custava R$ 250, o que causou a impressão de que o aumento foi de 500%, já que o ingresso de 2026 para curtir a pista foi de R$ 1.350 (inteira). Pela correção pelo IPCA, o reajuste foi de, aproximadamente, 220%. 

Foto de divulgação: do Backstage Mirante

O que compõe o valor de um ingresso? 

Existem diversos fatores que podem fazer parte da composição do valor do ingresso: grandes equipes, estruturas, cachê do artista, demanda, aluguel do estádio e taxas cobradas pelas ticketeiras. Marcelo Rossi, produtor de eventos e fotógrafo musical há mais de 20 anos, disse acreditar que os artistas internacionais sempre vão oscilar o preço, principalmente por causa do dólar. Mas persiste o questionamento: o artista irá vender tantos ingressos a ponto de lotar várias datas?

As grandes vendedoras de ingressos lucram com uma porcentagem das vendas, “porque um show, embora seja entretenimento, é um negócio, as empresas vivem disso, então elas têm que lucrar. Se ela vai lucrar mais, ou menos, é critério dela”, ressalta Marcelo. Por isso, são cobradas altas taxas que variam conforme o Estado sede do evento.

De experiência a status

Por causa do aumento nos preços, algo que era mais acessível e destinado a um público mais amplo, vem se tornando símbolo de ostentação.  Dessa forma,  mais pessoas precisam abrir mão desses eventos, como a entrevistada Maria Eduarda, que revelou que terá que deixar de ir no show de seu cantor favorito, Harry Styles, por conta do valor do ingresso. 

Para Eduardo Reis, mais que apenas um show, esses espetáculos se tornaram uma experiência de  luxo. “Virou investimento, item de consumo de gente adulta que tem que se comprometer por meses.” E assim como qualquer item de luxo, tem se tornado polarizado entre bolhas cada vez menores de fãs.

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Gabrielli Nunes Portugal Amorim